Instalações de Compost Barn – Siga aqui algumas dicas de montagem e adequações

Postado por admin em Artigos e Notícias

15

fev
2021

Buscando orientar ainda mais os nossos empreendedores cooperantes da Coopervap, fizemos várias pesquisas em relação aos investimentos relacionados às montagens dos barracões, aclimatação, conforto para os animais e as facilidades no manejo do compost barn.

Fonte: Adaptado de Hayla Fernandes – Milk Point

Encontramos um trabalho excelente da médica veterinária e mestre em sustentabilidade, pecuária e consultora técnica, Hayla Fernandes, no portal Millk Point, utilizando de uma linguagem objetiva e acessível, com todas as informações necessárias para descartar dúvidas, como também mostrar que, apesar de muitos acharem que o compost barn é empregado somente em grandes empreendimentos, nas informações a seguir mostra-se que o mais importante é trazer conforto aos animais, independente do tamanho da estrutura, e, com as respectivas adequações, é a solução para o que se busca.

Estamos em busca de melhorias, com o Compost Barn não seria diferente, há fazendas que, apesar de terem construído, não se atentaram em algumas questões cruciais na construção e manejo para que o resultado da estrutura seja eficiente.

Quais os principais pontos que você não pode errar? Fazer um projeto com um consultor específico será um dos melhores investimentos.

Principais erros ao construir um Compost Barn:

  • Orientação do barracão.
  • Barracão sem beiral.
  • Bebedouro ineficiente.
  • Falta de sala de resfriamento/uso errado.
  • Ventiladores inadequados.
  • Ventiladores desligados (inversores?).
  • Aspersão na linha de cocho.
  • Não preparar as pessoas para manejarem o sistema.

Orientação do barracão

A orientação do barracão deve ser Leste-Oeste, para que o sol passe por cima e você tenha a maior área de sombra possível durante mais tempo, abaixo da cobertura. Se fizer Norte-Sul você vai perder eficiência, pois haverá sol dentro do barracão por mais tempo. É possível trabalhar? Sim, mas se prepare para deixar uma metragem maior de cama por vaca pois elas vão evitar áreas de sol.

Barracão sem beiral

Economia que não vale a pena definitivamente. O beiral vai proteger a cama da chuva que, caso molhe, irá expor suas vacas ao risco de mastite. Lembre-se, mesmo que sua fazenda seja numa região como o Centro-Oeste, onde não chove em boa parte do ano, o resto dos meses chove e seu risco será sempre iminente. Faça a conta de quanto pode te custar um surto de mastite e, seja honesto nessa conta, junto aos medicamentos, descarte do leite, queda significativa na produção, CCS e até perda de animais.

Bebedouro ineficiente

Os animais perdem uma quantidade enorme de líquido a cada ordenha e precisam repor isso. Seu barracão pode ser lindo, mas deixar poucos bebedouros ou deixá-los sujos interfere diretamente na ingestão de água dos animais. Se elas bebem menos água, produzem menos leite, é a lei da causa e efeito. Sabe por quê? Porque a natureza é sábia! A vaca sempre vai, fisiologicamente, pensar nela primeiro antes de produzir leite para o bezerro. Um ponto importante é que haja um bebedouro na saída da ordenha para aproveitarmos o estímulo fisiológico de sede que vem no momento da retirada do leite. Deixe um cocho com largura de 0,80m por animal e multiplique pelo número de conjuntos, ou seja, se saem 6 vacas por vez, deixe espaço para as 6 beberem água sem disputa ao mesmo tempo. Sempre dê o maior número de chances para que as vacas bebam água. Saiba que água entra em praticamente todas as funções fisiológicas (imunidade, termorregulação, digestão, etc.), ou seja, a “vaca que bebe menos água passa mais calor”.

Falta de sala de resfriamento/Uso errado

Esse é um atalho muito popular, mas péssimo! A turma constrói um barracão de revista mas esquece da sala de resfriamento. É o seguinte: Pense no aquecimento dos animais como um carro acelerando na pista, a sala de resfriamento vai frear bruscamente esse carro e apenas ela tem esse poder! Se as vacas não forem para a sala de resfriamento e ficarem os 40min resfriando, elas entram em estresse térmico (temperatura acima de 39.1°C) e demoram muito a sair de lá. O banho é a maneira mais efetiva de tirá-las do estresse. O que vai mantê-las abaixo dessa linha de estresse? As condições climáticas a que elas se expõem logo após o banho, ou seja, a temperatura ambiente (em dias mais quentes o efeito do resfriamento vai durar menos), se os ventiladores estão ligados, umidade mais baixa, etc.
Você pode usar aditivos alimentares com comprovação científica que ajudam bastante a ficarem menos tempo em estresse térmico também. Agora calma, não quer dizer que você precisa ficar com um termômetro 24 horas monitorando os animais. Já sabemos que as vacas esquentam em determinados horários, com algumas variações.
Que horários são esses? Elas começam a acelerar pela manhã, após a primeira ordenha entram em estresse térmico por volta do meio dia e vão assim até o final da tarde, quando, teoricamente, elas deveriam tomar um segundo banho. Após a ordenha do final do dia, elas começam a esquentar de novo e tendem a passar a noite em estresse. Lembre-se que a cama do composto não é tão fria quanto a areia do Freestall e que ela fermenta, além de que, durante a noite, a construção está irradiando calor. Mas calma! Não precisa se desesperar. Considere então que os ventiladores devem ficar ligados durante a noite e também e, se possível, dar um banho extra, por volta das 22:00h. Obviamente banhos extras devem caber no seu manejo, mas sabendo da importância, com certeza fica mais fácil de encaixar.

Ventiladores inadequados

Ventilador de frango nem pensar, ok? Sou categórica em relação a isso e a economia não vale a pena. Um ponto importantíssimo antes de comprar um ventilador é ir conhecer um projeto em que já estejam instalados e verificar o funcionamento deles. Por quê? Porque a velocidade do vento que precisamos é de 2m/s na cama e 3m/s na sala de resfriamento. Nesse quesito muito se promete, mas pouco se entrega. Cuidado com marcas que prometem entregar essa velocidade de vento a uma distância muito grande uns dos outros (20m, por exemplo), pois pode ser uma tática comercial para baratear o projeto total. Minha dica: procure equipamento específico para vacas e vá visitar fazendas para vê-los em funcionamento! Temos excelentes equipamentos tanto nacionais quanto importados.

Ventiladores desligados (inversores?)

Comprar ventilador e não ligar é uma triste realidade em muitas fazendas. Sabemos do custo e da crise do fornecimento de energia, especialmente em alguns estados. Vamos às recomendações e depois às alternativas. O certo é ventilação ligada 24 horas. Pensando na cama, nas vacas e na qualidade do ar. Ponto. Negociação possível: Fazer grupos de ventiladores ou instalar inversores nos ventiladores. Os grupos podem ser “uma linha sim e uma não” que se alternam em alguns períodos do dia, em que a energia é mais cara, por exemplo. Os inversores têm se mostrado como uma excelente alternativa para manter a ventilação e usar menos energia, isso tudo pode ser programado no painel para que seja totalmente automático, com custos bem razoáveis. Os inversores podem vir integrados aos ventiladores ou serem comprados a parte.

Aspersão na linha de cocho

Como falei acima, pense no aquecimento das vacas como um carro acelerando na pista. A sala de resfriamento funciona como um freio brusco, já o resfriamento da linha de cocho é um freio mais brando. É efetivo, dá resultado, mas não tão palpável como a sala de resfriamento e, lembre-se, vai precisar de um bom manejo dos dejetos.

Não preparar as pessoas para manejarem o sistema

Erro básico da atividade leiteira como um todo. Cuidamos e discutimos minúcias de dietas, detalhes de construção, fisiologia, entre outros, mas esquecemos de quem opera toda nossa engrenagem. Esquecemos que, quando a fazenda opta por construir, mudará uma série de manejos e para que tudo isso funcione você vai precisar treinar, conversar, treinar de novo, acompanhar e conversar de novo. O trabalho com pessoas é repetitivo e exige paciência, mas é o que vai fazer sua fazenda avançar.

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